UE adia lei contra desmatamento após pressão de países produtores
Decisão gera alívio para setores como agricultura e agronegócio, mas preocupa ambientalistas
A Comissão Europeia decidiu adiar a aplicação de sua lei de combate ao desmatamento global após pressão de países e indústrias produtoras de commodities. A decisão foi tomada devido à resistência de países exportadores de produtos como café, cacau, soja e carne bovina. O adiamento proposto é de 12 meses a partir da data prevista para a entrada em vigor da lei, que era 30 de dezembro de 2024.
Países como o Brasil criticaram o novo regulamento da UE, alegando que as exigências ambientais prejudicariam pequenos agricultores e limitariam as exportações. Apesar do adiamento, a Comissão garantiu que os objetivos da lei não estão em questão e que o prazo extra permitirá que os parceiros se preparem adequadamente para o cumprimento das regras.
Grande alívio
“Um atraso traria um grande alívio às cadeias de valor da União Europeia, do cacau ao óleo de palma — e não menos importante aos consumidores europeus já afetados por uma crise de custo de vida”, disse Carlos Mera, analista do Rabobank em Londres, segundo a reportagem da Bloomberg.
As regras exigem sistemas de rastreamento complexos, com importadores obrigados a coletar dados precisos para identificar os lotes de terra onde os produtos foram cultivados.
Por sua vez, as empresas devem garantir que os produtos importados não foram feitos em áreas desmatadas ou degradadas após 2020.
“As incertezas causadas agora devem ser uma razão para simplificar fundamentalmente a regulamentação novamente e não impor burocracia adicional aos países com proteção florestal eficaz”, disse o secretário-geral do DBV, Bernhard Krüsken.
Grupos ambientalistas criticaram a proposta de reduzir as metas de reflorestamento da Comissão Europeia, argumentando que as florestas necessitam de mais proteção. O diretor do Greenpeace, Sébastien Risso, acusou a presidente Ursula von der Leyen de ser conivente com o desmatamento, afirmando que os consumidores europeus não querem produtos originados em áreas desmatadas.
Peter Liese, um legislador alemão que coordena questões ambientais no Partido Popular Europeu, saudou a proposta da UE, dizendo a “entrada em vigor em 30 de dezembro de 2024 teria mergulhado o bloco em um caos irresponsável”.
(Com Bloomberg)
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