Brasil e Emirados: agronegócio precisa de parceria
Discussões no fórum: soluções hoje para os desafios de amanhã do agronegócio
Especialistas do setor alimentício discutiram a importância de parcerias que complementem pesquisa e desenvolvimento, gerem produtividade e tragam investimentos durante o AgriFuture Forum em São Paulo. Saleh Abdullah Lootah, presidente do Conselho de Administração do grupo Folders nos Emirados Árabes Unidos, destacou a necessidade do Brasil atingir todo seu potencial de produção para garantir a segurança alimentar de seus parceiros comerciais, como os Emirados.
O subsecretário assistente de Diversidade Alimentar dos Emirados, Mohamed Salman Alhammadi, mencionou que o país importa 80% dos alimentos consumidos e pretende reduzir essa porcentagem para 50% até 2051, investindo em tecnologias como fazendas verticais para aumentar a produção local.
Brasileiros e emiráticos buscam parcerias que atendam às necessidades de investimento do Brasil e garantam a segurança alimentar dos Emirados, buscando soluções para os desafios enfrentados pela produção agrícola, como as mudanças climáticas. A cooperação entre os dois países pode contribuir para o fortalecimento do setor alimentício e para atender à demanda global por alimentos de forma sustentável e eficiente.
Representantes brasileiros no painel, o diretor de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Marcel Moreira, e o coordenador de Recuperação de Áreas Degradas e Reflorestamento do Mapa, Rodrigo Lopes de Almeida, lembraram que o Brasil tem uma rígida legislação ambiental, porém tem espaço e oportunidades para ampliar sua terra agricultável sem desmatar áreas de vegetação.
O território brasileiro, disseram, tem cerca de 100 milhões de hectares de pastagens degradas, dos quais 40 milhões de hectares, se recuperados, podem atingir elevados índices de produtividade. Esse é um programa do governo federal e envolve outros ministérios além do Mapa. “É possível dobrar a produção agrícola do Brasil sem desmatar, usando essas áreas. Todavia, precisamos de parceiros”, disse Moreira, lembrando que neste ano o Ministério da Fazenda deverá liberar R$ 1 bilhão para recuperação de pastagens. Lopes disse que o Mapa está mapeando todas as áreas, para, em seguida, buscar investimentos. “O Brasil pode ser provedor de segurança alimentar, mas, com parcerias, podemos ser um produtor ainda mais robusto”, disse.
Trabalho depende de academia, governos e empresas
O segundo painel do encontro abordou a importância da pesquisa e desenvolvimento para sustentar a agricultura e sistemas alimentares. O Reitor interino da Faculdade de Agricultura e Medicina Veterinária da Universidade dos Emirados Árabes Unidos destacou a necessidade de transformações na agricultura nos próximos 50 anos, ressaltando que soluções atuais, como alimentos geneticamente modificados, podem não ser suficientes no futuro. Os participantes enfatizaram a importância da tecnologia e novas variedades de frutas e vegetais para garantir a produção de alimentos no futuro, considerando as mudanças climáticas.
A necessidade de compartilhar conhecimentos e a questão da propriedade de patentes foram discutidas, principalmente no contexto dos Emirados Árabes Unidos. A importância da sustentabilidade na agricultura, da bioeconomia e da recuperação de pastagens também foram temas abordados. Empresas brasileiras e dos Emirados apresentaram seus produtos e processos durante o encontro, seguido por uma rodada de negócios entre as empresas dos dois países.
O evento contou com a presença de autoridades do setor, como o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, integrantes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, diretores da Câmara Árabe, o presidente da certificadora Fambras Halal e o chefe do escritório da Dubai Chambers no Brasil.
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